Predição de prolongamento do QT em pacientes hospitalizados
Fonte primária: Tisdale JE et al. Circ Cardiovasc Qual Outcomes 2013; 6: 479-487
A escala de Tisdale (Tisdale JE et al., Circ Cardiovasc Qual Outcomes, 2013) é um instrumento clínico para avaliação do risco de prolongamento do QTc em pacientes hospitalizados em UTI. Particularmente relevante antes da prescrição de fármacos prolongadores do QT em ambiente hospitalar.
Utiliza 7 fatores com pontos ponderados: idade ≥ 68 anos (1), sexo feminino (1), diuréticos de alça (1), potássio ≤ 3,5 mmol/L (2), QTc na admissão ≥ 450 ms (2), IAM agudo (2), sepse (3), insuficiência cardíaca (3), uso de 1 fármaco prolongador do QT (3), uso de ≥ 2 fármacos prolongadores do QT (6) — máximo 21 pontos.
Interpretação: ≤ 6 pontos — baixo risco (~15%), 7–10 — risco moderado (~37%), ≥ 11 — alto risco (~73%). No alto risco recomenda-se fármaco alternativo, monitorização eletrocardiográfica a cada 8–12 horas, correção ativa de eletrólitos (K > 4,0, Mg > 0,8 mmol/L).
Mulher de 74 anos, insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, admitida com pneumonia. Prescritos azitromicina e furosemida. Potássio 3,3 mmol/L, QTc na admissão 460 ms.
Idade ≥ 68 (1) + sexo feminino (1) + diurético de alça (1) + potássio ≤ 3,5 (2) + QTc ≥ 450 (2) + insuficiência cardíaca (3) + 1 fármaco prolongador do QT — azitromicina (3) = 13 pontos.
Alto risco de prolongamento do QTc (~73%). Conduta: substituir azitromicina por antibiótico seguro (amoxicilina-clavulanato), correção da hipocalemia (KCl até alvo ≥ 4,0 mmol/L), magnésio se < 0,8 mmol/L. Controle eletrocardiográfico diário.
Escores e fórmulas validados com interpretação completa, exemplos clínicos e referências das fontes. Acesso livre, sem necessidade de cadastro.
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